Como os canadenses comemoram a chegada do Ano Novo

Primeiramente, Feliz Ano Novo!

Falando nisso, pela primeira vez na minha vida passei a virada do ano trabalhando ao invés de ir curtir em alguma festa open bar/food em Belo Horizonte ou nas areias das praias de Cabo Frio. Como a fama das festas canadenses (principalmente as de Vancouver) não é das melhores, não pensei duas vezes quando tive a oportunidade de trabalhar das 20h às 2h30 como server em uma festa no Pinnacle Hotel, que fica a poucos minutos do Canada Place, onde tipicamente as pessoas se reúnem para assistir aos fogos de artifício a meia noite. Se não estivesse trabalhando, provavelmente o Canada Place teria sido o meu destino, mas preferi trabalhar e ganhar 21 dólares a hora. Nada mal, não é mesmo?

Mais do que ganhar um dinheirinho a mais para comprar um livro da faculdade, estar presente em uma típica festa de ano novo foi um ótimo exercício para observar o comportamento dos canadenses em um ambiente no qual os brasileiros são conhecidos por saberem fazer “festa” melhor do que todo mundo. E para a minha surpresa, quase tudo é muito diferente do que nós costumamos fazer.

A começar pelo horário, que festa de ano novo (ou qualquer outra celebração) no Brasil começa as 21h e termina às duas da manhã? Para a minha estranheza, nas duas primeiras horas de trabalho eu praticamente não fiz nada porque pouca gente tinha chegado. Arrisco a dizer que até as 22h, deveria ter umas 20 pessoas no local, além do DJ e os funcionários da Nasco, empresa para a qual trabalhei.

Com o passar do tempo, fui percebendo que não tinha uma pessoa sequer vestida de branco. Os homens, sem exceção, usavam terno e gravata, enquanto as mulheres usavam vestidos pretos ou de tom escuro. A festa não era open bar, então ficou claro que se tratava de uma celebração entre ricos, porque as pessoas não paravam de beber e tomar os mais variados drinks e, finalmente, eu realmente comecei a ter o que fazer.

Enquanto cinco pessoas se arriscavam na pista de dança, a grande maioria bebia e mexia no celular ao invés de interagir com as pessoas. O DJ, bem meia boca, diga-se de passagem, tentava, sem sucesso, atrair mais pessoas. Praticamente todas as músicas tocadas eram em versão remix e não era nem meia noite e já dava para reparar que o repertório era curto e as mesmas canções começaram a tocar novamente. Em determinado momento, apareceram algumas dançarinas asiáticas seminuas no palco, dançando de maneira apelativa e sem sentido, mas nem isso foi capaz de chamar a atenção das pessoas presentes.

De repente, deu meia noite. Não teve aviso de que a virada estava para acontecer e também não houve a típica contagem regressiva, e sim um telão com a mensagem Happy New Years Eve e alguns papeis picados caindo do céu.

Faltando duas horas e meia para a festa acabar, as pessoas praticamente pararam de beber e atacaram a comida. Enquanto isso, no backstage, onde apenas funcionários poderiam entrar, uma menina foi presa tentando roubar uma garrafa de espumante.

A festa, que já estava bem morna, praticamente morreu depois da meia noite. As pessoas já estavam cansadas, sentadas; as mulheres tiravam os saltos altos e pareciam cansadas, algo típico de acontecer numa festa no Brasil lá pelas quatro da manhã.

Como o movimento estava bem tranquilo, fui para o intervalo ao qual tinha direito e me matei de tanto comer. Para minha surpresa, a comida da festa vip, que ocorria no último andar do hotel e foi um fiasco total porque poucas pessoas apareceram, foi servida para os funcionários. Tinha desde salmão, comida japonesa, carne à salada, macarrão com queijo, bolos de chocolate, torta, cookies e café da manhã.

Chegado o fim da festa, me senti um pouco homesick (com saudade de casa). Percebi que Calvin Harris, Rihanna, Justin Bieber e outros astros da música pop não sustentam uma festa sozinhos. Faltou axé, sertanejo, samba, funk e pagode. Também ficou claro o quanto as pessoas aqui não têm a menor noção do que é se divertir de verdade. Foi tudo muito sem graça, sem cor e monótono… acho que é por isso que a duração das festas por aqui é muito curta. 

Quando deu 2h30, fui correndo pegar os meus pertences e ir embora. Para a minha tristeza, vi o ônibus que eu deveria pegar ir embora enquanto eu tentava atravessar a rua. Fiquei sem transporte público e, assim como milhares de pessoas, tentei pegar táxi, mas todos estavam ocupados.

Vancouver é a única metrópole do mundo que não tem uber.  Resultado: tive que ir para o Mc Donalds esperar por quatro pelo primeiro ônibus que funcionaria no dia.

Que maneira ótima de começar o ano, né? hahaha

 

 

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2 comentários sobre “Como os canadenses comemoram a chegada do Ano Novo

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